quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O PCN DE GEOGRAFIA: DA REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA À FENOMENOLOGIA

Um novo paradigma produtivo na economia do sistema do capital constitui- -se hoje no que se passou a chamar de reestruturação produtiva desse sistema. Tal processo necessita um “novo” trabalhador mais adaptado, apto, e multifuncional para essa nova forma de produzir e onde a constituição desse trabalhador tenha nas competências cognitivas de atributos individuais sua relação com o mundo do trabalho. A “formação” desse novo trabalhador encontra na escolarização (na escola) e no currículo uma importância grande, visto que a primeira é o lócus privilegiado de formação e o segundo uma espécie de roteiro por onde passa essa formação. No caso do currículo, os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN de Geografia (um currículo oficial) propõe uma abordagem fenomenológica para a disciplina, o que a aproxima nesse universo da reestruturação produtiva.

Autor: Marcos Soares - Doutorando em Geografia Humana FFLCH – USP.

Fonte: SOARES, Marcos. O PCN de Geografia: da reestruturação produtiva à fenomenologia. Boletim Paulista de Geografia. São Paulo, n. 93, 2013.


Leia no novo número da Revista Giramundo

Artigos
Sérgio Claudino
7-19

Viviana Zenobi, Melisa Estrella, Andrés Flouch
21-30

Juan Carlos Colomer Rubio, Yan Navarro
31-38

Daniel Llancavil
39-49

Marcio Ferreira Nery Corrêa
51-68


Andreia Cristina Teixeira Tocantins, Rosângela Veiga Júlio Ferreira, Camila Silva Pinho


69-7

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Jogos em Geografia

Entendemos que a busca de novas linguagens e metodologia para o ensino de Geografia pode incluir várias outras possibilidades, entretanto, como uma forma de recorte tem·tico optamos por nos deter na questão dos jogos. Quando falamos em jogos, temos de levar em consideração o nível de conhecimento, a dinâmica de funcionamento e o grau de utilidade que esse jogo ir· proporcionar aos alunos e n„o apenas aplicá-los como uma espécie de passatempo para distrair os alunos. O jogo vem como um estÌmulo tanto para melhor compreens„o do conte˙do, quanto para o crescimento e o desenvolvimento intelectual do aluno ñ fundamental para atingir a responsabilidade e a maturidade. … uma forma de aproximar o conte˙do aos alunos motivando-os a estudar de forma mais atrativa. Não defendemos o jogo pelo jogo, pois parece uma situação, o pouco estruturada e sem perspectivas relevantes quanto ao processo de desenvolvimento dos indivíduos. Estamos pensando no seu uso como recurso pedagógico, pois no jogar o aluno articula tanto a teoria quanto a prática, fazendo com que ele estude sem perceber tornando o processo de ensino- aprendizagem mais interessante e atrativo. Por meio do jogo, liberam-se tensões, desenvolvem-se habilidades, criatividade, espontaneidade, o indivíduo acaba jogando no como uma obrigação, mas como algo livre. Surge, pois, o prazer. … esse aspecto que o professor de Geografia não deve ignorar ou desaproveitar. Empregando o jogo ao conteúdo adequado, os alunos poder„o trabalhar em situações altamente motivadoras, principalmente quando aplicado a conte˙dos de difícil assimilação.

Fonte: VERRI, Juliana Bertolino; ENDLICH,  Ângela Maria. A utilização de jogos aplicados no ensino de Geografia. Revista Percurso - NEMO Maringá, v. 1, n. 1 , p. 65-83, 2009 


domingo, 27 de dezembro de 2015

O TERRITÓRIO COMO FERRAMENTA ANALÍTICA NO ENSINO DE GEOGRAFIA

O TERRITÓRIO COMO FERRAMENTA ANALÍTICA NO ENSINO DE GEOGRAFIA: dos dispositivos de controle à produção de multi/transterritorialidades
Marcos Leandro Mondardo
Resumo

A educação utiliza dispositivos de controle. No processo de formação do estudante, as palavras de ordem e os mecanismos de integração ao mercado, tentam controlar sua força revolucionária, de resistência e de revolta, como condição de comando da sociabilidade. Para Gilles Deleuze e Félix Guattari a educação é um ato essencialmente político. Por isso, inspirado nesses autores, nossa pretensão neste ensaio é desenvolver um exercício de deslocamento conceitual, isto é, desviar o lócus conceitual de “literatura menor” para pensar uma “Geografia menor” por meio da ferramenta analítica, o conceito de território, como uma forma de subversão da própria tradição desse campo disciplinar, pensando a emergência de novos movimentos de desterritorialização na educação. Com isso pretendemos problematizar o surgimento de linhas de fuga no processo educativo e reconhecer os movimentos de luta e resistência comprometidos politicamente com os valores e práticas subversoras por meio da produção de multi/transterritorialidades. 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O Mapa das línguas mais faladas do mundo

Em 2015 existem 7 mil milhões de seres humanos que falam 7102 línguas diferentes. Mas cerca de 4.100.000.000 falam apenas 23 línguas. Alberto Lucas López desenhou o mapa proporcional destas 23 principais línguas faladas. Este mapa é uma representação visual de 23 línguas mais faladas no mundo e para qualquer uma delas existem mais de 50.000.000 de falantes. 

Veja e pense.
Porque á tantas línguas, mas apenas 23 destas  correspondem a mais de 55% da população mundial?
Quanto maior a diversidade não seria melhor?



Vejamos o mundo sob a perspectivas das línguas.

Quantidades de línguas por continente.

Em relação ao número de pessoas que falam determinadas línguas, pode-se dizer que o mandarim, ou chinês, á a língua mas falada do mundo com 1,39 bilhões de pessoas seguido pelo inglês com 527 milhões.
Agora veja a diversidade de línguas por continente. qual dos mesmo é o mais diverso?


Em relação ao número de países que falam determinada língua, o inglês é o mais utilizado em 101 países e o português em 12 países.

Tomando por conta, que vivemos um processo de globalização econômica, muitas línguas locais estão morrendo, ou melhor, desaparecendo. veja a espacialização: em vermelho são as línguas com severamente ameaçadas em amarelo seriamente ameaçada e amarelo - ameaçada.



Por fim, quando perguntamos. Qual a língua que as pessoas preferem aprender. O inglês é que tem o maior número. Porque será?


Fonte das figuras: http://www.maisopiniao.com/seis-mapas-graficos-as-linguas-do-mundo/

O Ensino de Geografia e o Futebol

"...Na contramão da grande maioria, que considera o futebol como uma arte por sua beleza estética e cultural, Gomes (2002) assim o reputa por sua capacidade de tornar estético algo banal nas lutas e relações sociais: a disputa territorial. De fato, o futebol metaforiza o choque de diferentes categorias existentes no dia-a-dia, seja numa guerra entre países, em assalto a uma mansão ou até mesmo em uma discussão sobre a posição do muro do vizinho. Ainda conforme Gomes (2002), a bola de futebol é utilizada como um instrumento que demonstra posse e domínio de um grupo sobre o outro. É sua posição e deslocamento, durante o jogo, que explicita as forças e fraquezas das equipes. Com isso, domina-se o adversário. Entretanto, ao contrário dos combates territoriais que acontecem no mundo, o dominado pode, eventualmente, vencer. Ademais, neste esporte, há regras, igualdade de condições (em tese) e a violência é controlada. Assim, assistir a uma partida de futebol metaforiza uma disputa pelo espaço. Portanto, é natural que tal esporte se difunda socialmente, haja vista que reproduz situações do cotidiano e representam setores, cidades, regiões, estados e nações que em nenhuma outra situação sentiram-se representadas. E é na arena onde tudo é posto em jogo: “o campo de futebol é um território, pois é a partir do seu controle e domínio que uma equipe impõe seu prestígio, superioridade e poder sobre a outra” (GOMES, 2002, p. 235)...."


Fonte: Pedro Höfig e Claudio Roberto Bragueto. Considerações sobre geografia e futebol: produção do espaço urbano e apropriação do território. Revista Terr@Plural, Ponta Grossa, v. 7, n. 1, p. 79-92, jan/jun. 2013.


Nesse sentido, como podemos pensar a espacialização do Campeonato Brasileiro de 2015? Vejaa distribuição.



Por que o Futebol é interessante a Geografia?

Leia:
Fernando Rosseto Gallego Campos. Futebol e Geografia: Possibilidade de apreensão através do conceito de Espaço de representação do Futebol.

"...É fundamental que a Geografia dê mais atenção para o futebol, pois este é um importante elemento da sociedade brasileira, tanto sob sua dimensão esportiva quanto cultural, social, identitária e até mesmo espacial. O futebol faz parte do cotidiano dos brasileiros, que manifestam através dele sua cultura e sua visão do espaço. Ele constrói territorialidades próprias, apropriando-se de elementos simbólicos. Ele transcende, assim, sua qualidade esportiva, passando ser um fator essencial para a compreensão da construção espacial e social brasileira e até mesmo mundial. GIULIANOTTI (2002. p. 08) atribui a importância dada ao futebol não apenas porque este é parte integrante de uma cultura, mas também porque “as características valorizadas no jogo nos dizem algo fundamental sobre as culturas em que ele é praticado.” No Brasil, é atribuído ao futebol um importante lugar na constituição de uma cultura nacional, bem como no estabelecimento de uma suposta identidade nacional. BELLOS aponta o futebol como “o símbolo mais forte da identidade brasileira” e “o meio mais eficiente de se integrar à sociedade brasileira” (BELLOS, 2003, p. 09-10). Esta condição apontada por BELLOS exprime a importância que possui o futebol para o brasileiro, pois faz parte de sua vida cotidiana e de suas relações sociais. Roberto DAMATTA (1984, p. 17) afirma que “a construção de uma identidade social, então, como a construção de uma sociedade, é feita de afirmativas e de negativas diante de certas questões”. No Brasil, o futebol é uma destas afirmativas. Para TOLEDO (2000, p. 08), o futebol é “uma manifestação cultural que revela nosso jeito, malícia, alegria ou ginga, o futebol protagonizou os contornos de um processo de identificação construído e engendrado por esses diferentes agentes sociais em interação”...."

Sugestões de leitura:
Flávio Lopes Holgado; Ivaine Maria Tonin. As paisagens e o Futebol. Revista de Geografia - PPGEO-UFJF, Juiz de Fora,  - v. 2, nº 1, p. 1-10, 2012.

Gilmar Mascaranhas. A mutante dimensão espacial do futebol: Forma simbólica e identidade.  Revista Espaço e Cultura. Rio de Janeiro, n. 19-20, p. 61-79, 2005.